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Site Diário do Rio/RJ

Publicado em 23/09/2026 - 11:56 / Clipado em 23/09/2026 - 11:56

CREA-RJ, CAU-RJ e Coppe/UFRJ defendem junto aos candidatos o fortalecimento da capacidade técnica do estado


Entidades apresentam carta-compromisso com propostas para fortalecer a estrutura técnica, prevenir riscos climáticos e planejar a infraestrutura fluminense para o período de 2027 a 2030

 

Pela primeira vez nas eleições do Estado do Rio, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-RJ) e a Coppe/UFRJ se unem para defender junto aos candidatos majoritários a estruturação da Engenharia e da Arquitetura públicas como uma política de Estado. No dia 28, na Coppe, os dois conselhos e a entidade de ciência de tecnologia vão apresentar uma carta de compromissos, que defende desde o fortalecimento do Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura (IEEA) até a criação de estruturas estaduais voltadas para a prevenção de enchentes e deslizamentos, a exemplo da Rio Águas e da GEO Rio, do município do Rio, passando pela presença de engenheiros e arquitetos à frente de órgãos públicos com atividade-fim no setor.

O documento propõe que o IEEA exerça nas áreas técnicas função equivalente à desempenhada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) no âmbito jurídico, com planos de carreira e formação continuada. A carta sugere também a criação de uma secretaria estadual de recuperação da infraestrutura para estabelecer estratégias permanentes de recuperação e renovação das infraestruturas existentes.
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O presidente do CREA-RJ, engenheiro Miguel Fernández, ressalta a importância da iniciativa inédita.

“Os dois conselhos de classe do setor tecnológico, com a principal instituição de pesquisa e desenvolvimento na área tecnológica do nosso estado, se uniram para apresentar aos candidatos ao governo do Estado quais são os principais temas que hoje a gente entende como fundamentais, pensando em um longo prazo do desenvolvimento do nosso Estado”, explica Fernández, acrescentando que o Estado precisa de uma política de fortalecimento de sua área técnica a longo prazo.

“É necessário que se pense em longo prazo porque o tempo do setor tecnológico não dialoga com o tempo da política. A decisão no setor de infraestrutura não é muitas vezes no mandato de quatro anos. É necessário que você tenha uma visão de estadista. Por isso, as instituições que assinam essa carta estão alertando o próximo governador para a necessidade de se ter uma visão de longo prazo, como no passado outros governantes já tiveram, para poder garantir a infraestrutura existente hoje”, destacou o presidente do CREA-RJ.

O presidente do CAU-RJ, Sydney Menezes, enfatizou que a carta é fundamental para uma política de estado.

“A carta-compromisso, elaborada a partir de sugestões do CREA-RJ, do CAU-RJ e da Coppe, é baseada num projeto para infraestrutura urbana do estado para os próximos anos. É uma proposta que traz a necessidade de participação efetiva de técnicos, arquitetos, urbanistas, engenheiros na elaboração desses projetos e na execução dessas obras. Isso é fundamental enquanto estratégia para o desenvolvimento econômico e social do Estado do Rio de janeiro”, afirmou Menezes.

A diretora da Coppe/ UFRJ, engenheira Suzana Kahn Ribeiro, defende que “a ciência e a inovação produzidas no Rio sejam instrumentos para pensar e construir o Rio das próximas décadas.”

“O próximo governo do Rio de Janeiro terá uma oportunidade importante de construir uma agenda de desenvolvimento que ultrapasse os ciclos de governo, apoiada em planejamento, conhecimento e capacidade técnica. O Estado conta com instituições de ensino e pesquisa de excelência, e a Coppe vem contribuindo há décadas para o desenvolvimento do Rio de Janeiro, transformando ciência, tecnologia e inovação em soluções para desafios concretos da sociedade”, afirmou Suzana, que a contribuição da Coppe, aliada dos conselhos de classe, pode ser grande “em áreas como saneamento, mobilidade, prevenção de riscos e cidades inteligentes e sustentáveis.”

O documento propõe uma agenda estratégica de desenvolvimento para o quadriênio 2027–2030, colocando a Engenharia, a Arquitetura, a Ciência e a Tecnologia como pilares de um projeto de Estado de longo prazo que supere a descontinuidade das trocas de gestão.
Os três eixos do documento

A iniciativa destaca a necessidade de transformar a base técnico-científica e as vocações econômicas fluminenses em políticas públicas fundamentadas em evidências. As entidades signatárias ressaltam que, embora o Rio de Janeiro disponha de centros de pesquisa de excelência e profissionais qualificados, o Estado segue enfrentando entraves estruturais históricos que exigem capacidade permanente de planejamento, execução e investimentos contínuos.

A proposta está estruturada em três eixos centrais de atuação. O primeiro deles, focado na capacidade técnica de planejar e executar, defende o fortalecimento institucional do Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura (IEEA), conferindo-lhe uma função técnica permanente análoga à desempenhada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) no âmbito jurídico, com financiamento garantido por contratos de obras e serviços públicos.

Ainda no primeiro eixo, as entidades defendem a ocupação de posições estratégicas nos órgãos de atividade-fim, tais como DER-RJ, EMOP-RJ, CEDAE, INEA, CEHAB e agências reguladoras, por profissionais com comprovada qualificação técnica. Para combater os recorrentes impactos de eventos climáticos extremos, propõe-se também a criação de órgãos estaduais dedicados à mitigação de riscos: o "RJ Águas", voltado para drenagem e cheias, e o "GEO-RJ", voltado para contenção e gestão de encostas vulneráveis.

O segundo eixo reúne projetos estruturantes indispensáveis para impulsionar o desenvolvimento econômico, a logística e a sustentabilidade regional. No campo da mobilidade, ganham prioridade a implantação da Linha 3 do Metrô, a revitalização e segurança da malha ferroviária, a ferrovia EF-118 e a construção do Anel Rodoviário da BR-101 no município de Campos dos Goytacazes.

Na área de desenvolvimento urbano e social, o documento estabelece a premissa de que a engenharia e a arquitetura devem chegar antes das ocupações irregulares, superando ações meramente paliativas por meio de programas contínuos de habitação de interesse social com infraestrutura completa. Como complemento, a pauta de saneamento integrado preconiza a ampliação e redundância no abastecimento hídrico da Região Metropolitana, captações em tempo seco e a extinção definitiva dos lixões.

O terceiro eixo foca na transição das estruturas do passado para o futuro, sob o princípio de prevenir para não remediar. Diante do envelhecimento e da obsolescência de patrimônios essenciais, a carta alerta para a urgência de avaliar e recuperar instalações críticas antes que ocorram falhas operacionais ou tragédias, citando nominalmente o Sistema de Transposição de Santa Cecília e os sistemas de sinalização ferroviária.

Para operacionalizar essa estratégia preventiva, as instituições sugerem a criação de uma Secretaria de Recuperação de Infraestrutura estadual. Inspirada no modelo de conservação urbana, a pasta terá a missão específica de inventariar, monitorar e restaurar grandes obras de arte especiais e estruturas vitais do Estado, incluindo pontes, viadutos, túneis, emissários e adutoras.

Como pólo acadêmico e de inovação, a Coppe/UFRJ reafirma sua disposição em oferecer suporte técnico-científico, modelagens e diagnósticos aplicados às políticas públicas, integrando a pesquisa de ponta aos desafios reais da administração pública estadual.

Por fim, a adesão formal dos candidatos às diretrizes do manifesto será acompanhada e divulgada diretamente a mais de 125 mil profissionais com registro no CREA-RJ e no CAU-RJ, assim como à comunidade acadêmica e à sociedade fluminense. As entidades reiteram o convite aos postulantes ao Palácio Guanabara para que assumam publicamente o compromisso com uma gestão técnica, sustentável e voltada para o futuro do Estado.

 

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