Publicado em 08/09/2026 - 10:15 / Clipado em 09/09/2026 - 10:15
Laudo confirma que importante rodovia do Rio pode colapsar
Concessionária afirma que intervenções dependem de autorização; TCE-RJ sustenta que nenhuma decisão impede obras necessárias à segurança
Um relatório técnico encomendado pela concessionária responsável pela Via Lagos aponta risco de colapso em estruturas de drenagem localizadas sob a RJ-124. Sete pontos entre os quilômetros 0 e 30 precisam de intervenções para evitar afundamentos, crateras, alagamentos e acidentes.
As informações foram reveladas pelo jornal O Globo. O diagnóstico, produzido pela NC Engenharia em 5 de junho, integra um documento de 27 páginas encaminhado pela concessionária ao Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro (DER-RJ), em julho.
A Via Lagos possui 57 quilômetros e liga Rio Bonito a São Pedro da Aldeia, funcionando como um dos principais acessos entre as regiões Metropolitana e dos Lagos. Aproximadamente 20 mil veículos passam diariamente pela estrada. Durante o verão, feriados e períodos de maior movimento turístico, esse volume pode quase triplicar.
Os problemas foram encontrados em bueiros e galerias que atravessam a parte inferior da rodovia ou de seus acessos. Como algumas estruturas estão encobertas pela vegetação, as falhas podem não ser percebidas por quem passa pela pista.
O levantamento apresenta registros de rachaduras, trincas, infiltrações, rupturas e perda de material do aterro. Entre as estruturas citadas está um bueiro no km 11+080, cuja condição exigiria seu preenchimento com concreto e posterior abandono ou substituição.
No km 4+030, o documento aponta ruptura de um bueiro tubular e perda do material que sustenta o aterro. A progressão desse tipo de dano pode comprometer a estabilidade do pavimento acima da galeria.
Documento aponta possibilidade de colapso repentino
O parecer técnico alerta que o colapso estrutural pode acontecer de forma gradual ou repentina. As intervenções recomendadas buscam preservar tanto a integridade da pista quanto a segurança dos motoristas.
Entre as consequências relacionadas às falhas estão a abertura de crateras, o afundamento do pavimento, alagamentos e o aumento do risco de acidentes.
Não há, nas informações divulgadas, indicação de que toda a extensão da rodovia esteja sob risco imediato de desabamento. O alerta técnico está relacionado aos sete pontos identificados no sistema de drenagem entre os quilômetros 0 e 30.
Também não foi informada a existência de interdição preventiva nesses trechos.
Concessionária diz que obras não estão previstas no contrato original
A concessionária afirma que identificou, ainda em 2024, a necessidade de intervenções pontuais no sistema de drenagem e encaminhou pedidos de autorização às autoridades estaduais.
Segundo a empresa, as obras indicadas não fazem parte das obrigações assumidas no contrato original, firmado na década de 1990. Por essa razão, a concessionária sustenta que não pode iniciar as intervenções sem a aprovação da proposta de modernização contratual submetida aos órgãos responsáveis.
A concessão inicial tinha duração prevista de 25 anos. Posteriormente, dois termos aditivos ampliaram o período por mais 25 anos, levando o contrato até 2047.
Essas prorrogações foram questionadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), que apontou ausência de estudos técnicos e econômicos capazes de demonstrar que a extensão seria vantajosa para o poder público e para os usuários.
Os aditivos também produziram reflexos sobre o valor cobrado no pedágio, conforme manifestação do gabinete do conselheiro Rodrigo do Nascimento, relator do processo.
TCE nega ter impedido intervenções de segurança
O TCE-RJ afirma não ter localizado nos processos qualquer comunicação que indique que obras urgentes para a segurança da Via Lagos estejam impedidas por decisão da Corte ou pela demora no julgamento.
O gabinete do relator sustenta que não existe determinação dificultando obras de engenharia, serviços de manutenção ou intervenções necessárias para proteger os usuários.
O julgamento sobre as prorrogações chegou a ser suspenso por 180 dias, em outubro de 2024, enquanto o governo estadual, a Agetransp e a concessionária negociavam uma modernização do contrato. Com o encerramento desse prazo, em abril, o processo retomou a tramitação regular.
O Tribunal informou que ainda não é possível antecipar quando o caso será incluído na pauta de julgamento.
DER afirma que parte das obras foi executada
O DER-RJ declarou que monitora os pontos da rodovia nos quais existem problemas no sistema de drenagem. Segundo a autarquia, parte das intervenções emergenciais foi executada em 2025, enquanto outras medidas continuam sob avaliação.
O órgão também informou que as melhorias de drenagem estão entre as prioridades da proposta de modernização do contrato analisada pelo TCE.
A Agetransp, responsável pela fiscalização dos serviços concedidos, afirma realizar vistorias rotineiras nas condições operacionais da RJ-124. Segundo a agência, parte das intervenções precisa ser analisada individualmente pelo DER-RJ.
O Plano Tático de Fiscalização de 2026 da Agetransp prevê avaliações mensais das condições do pavimento, da drenagem, da sinalização e dos dispositivos de segurança da Via Lagos, além de fiscalizações extraordinárias diante de falhas estruturais relevantes.
Pedágio chega a R$ 30,60 nos fins de semana
A tarifa básica para automóveis na Via Lagos é de R$ 18,40. Entre o meio-dia de sexta-feira e o meio-dia de segunda-feira, assim como nos feriados, o valor chega a R$ 30,60.
A cobrança elevada aumenta a responsabilidade dos órgãos públicos e da concessionária sobre a manutenção e a segurança oferecidas aos motoristas, especialmente diante do intenso movimento em direção às cidades turísticas da Região dos Lagos.
Apesar do alerta apresentado no relatório, não foi divulgado um cronograma para a execução das obras nos sete pontos. Enquanto concessionária e órgãos estaduais discutem quem pode autorizar e incorporar as intervenções ao contrato, as estruturas permanecem sob monitoramento.
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