Publicado em 31/08/2026 - 14:22 / Clipado em 31/08/2026 - 14:22
Ponte em Niterói leva CREA-RJ a criar fiscalização especial
Caso em Niterói reforçou ação do CREA-RJ sobre pontes, viadutos, túneis e passarelas.
Uma ponte na região portuária de Niterói, que exigiu intervenção técnica imediata após denúncias sobre seu estado de conservação, está entre os episódios que deram força a uma nova frente de fiscalização no Estado do Rio. Informações que o Cidade de Niterói teve acesso mostram que o CREA-RJ criou uma equipe especializada exclusivamente no acompanhamento de pontes, passarelas, viadutos e túneis.
Chamadas tecnicamente de Obras de Arte, essas estruturas passarão a receber atenção específica do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ). A proposta é antecipar riscos, cobrar serviços adequados de engenharia e estimular uma cultura de manutenção preventiva.
A ideia segue uma lógica semelhante à adotada na autovistoria predial, na qual edificações urbanas precisam passar por avaliações técnicas periódicas.
Na prática, a intenção é substituir uma atuação concentrada apenas depois do surgimento de problemas por um modelo de acompanhamento preventivo das estruturas.
Fiscalização já passou de 94 mil ações em dois anos
O grupo de fiscalização de Obras de Arte se soma a outras forças-tarefas temáticas criadas pelo CREA-RJ.
Uma delas é a comissão voltada a megaeventos, instituída depois de episódios com vítimas registrados em 2024.
Segundo os dados divulgados pelo Conselho, o ciclo de intensificação das ações de fiscalização já ultrapassou 94 mil operações em todo o Estado do Rio nos últimos dois anos.
O trabalho também vem sendo acompanhado pela modernização das ferramentas utilizadas pelos fiscais.
Entre as principais mudanças está a nova Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) digital, que incorpora recursos como:
- georreferenciamento;
- parametrização de custos;
- assinatura eletrônica;
- criação de bases de dados para fiscalização.
Nova ART será usada para cruzar informações
A nova ART deverá permitir a parametrização das atividades registradas e sua associação com informações georreferenciadas.
Segundo o CREA-RJ, o objetivo é transformar essas informações em um banco de inteligência capaz de tornar a fiscalização do exercício profissional mais precisa.
Os dados também poderão ser utilizados na análise de processos licitatórios, inclusive para identificar eventuais indícios de irregularidades ou tentativas de fraude.
“E quando a gente cruzar os dados dessa base com outras bases existentes, nós poderemos obter ainda mais benefícios para a sociedade, como por exemplo fazer um cruzamento de dados sobre manutenção de serviço de ar-condicionado em hospitais. A gente consegue descobrir se existem hospitais e clínicas que não possuem a manutenção periódica e adequada de equipamentos como o ar-condicionado, que podem impactar, por exemplo, em contaminação e prejuízo ao paciente que está ali internado. Portanto, ações como essas vão salvar vidas, gerar mais empregos, melhorar os serviços e aumentar a segurança de todos”, pontua Fernández em declaração encaminhada ao Cidade de Niterói.
Para o presidente do Conselho, a ART deve deixar de funcionar apenas como um instrumento burocrático e arrecadatório para se transformar na principal base de inteligência das ações da entidade.
As informações poderão abastecer tanto as operações de fiscalização quanto gestores públicos interessados em atuar nas áreas de infraestrutura, engenharia, agronomia e demais setores atendidos pelo Conselho.
CREA-RJ reúne 120 mil profissionais e 20 mil empresas
O CREA-RJ reúne atualmente cerca de 120 mil profissionais e aproximadamente 20 mil empresas registradas.
Miguel Fernández foi reeleito para um novo mandato, que começa em 2027, e defende que a atuação da entidade ultrapasse atividades meramente cartoriais.
A estratégia inclui transformar o Conselho em um agente de desenvolvimento técnico e econômico no Estado do Rio.
Entre os próximos passos estão a modernização e o fortalecimento das mais de 30 inspetorias regionais mantidas pelo Conselho na capital e no interior.
CREA-RJ fecha parceria com Nvidia para inteligência artificial
Outra frente de modernização envolve a incorporação de inteligência artificial aos sistemas utilizados pelo CREA-RJ.
Durante a Rio Innovation Week, o Conselho fechou um acordo de capacitação técnica com a Nvidia, multinacional de tecnologia apontada no material divulgado como a empresa de maior valor do mundo e uma das principais referências no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial.
A parceria deverá apoiar o desenvolvimento tecnológico da entidade e a criação de novos recursos destinados aos profissionais e às atividades de fiscalização.
“Este processo vai fortalecer o desenvolvimento tecnológico do nosso conselho, oferecendo cada vez mais serviços e maior qualidade aos profissionais, tornando o CREA cada vez mais inteligente”, afirmou Fernández em declaração encaminhada ao Cidade de Niterói.
O que muda com a nova fiscalização
A criação do grupo especializado coloca estruturas que fazem parte diariamente da mobilidade de milhares de pessoas em uma frente específica de acompanhamento do Conselho.
Pontes, viadutos, passarelas e túneis estarão no centro das ações, especialmente diante do envelhecimento de parte da infraestrutura fluminense.
O caso registrado na região portuária de Niterói evidencia justamente o ponto defendido pela nova iniciativa: problemas estruturais identificados antes de uma situação mais grave permitem intervenções técnicas e reduzem riscos para quem utiliza essas vias.
A proposta de tornar obrigatórios laudos periódicos acrescenta ainda uma etapa preventiva ao processo. Caso avance na Alerj e seja transformada em lei, a fiscalização dessas estruturas poderá deixar de depender apenas de denúncias ou sinais visíveis de deterioração.
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