Publicado em 05/06/2026 - 12:34 / Clipado em 05/06/2026 - 12:34
CREA-RJ realiza visita na TrensRJ após início da nova operação ferroviária no Rio
Segundo informações divulgadas pelo CREA-RJ, representantes do conselho realizaram nesta terça-feira (2) uma ação de fiscalização e acompanhamento técnico na nova operadora ferroviária TrensRJ, apenas três dias após o início oficial da gestão do sistema de trens metropolitanos do estado do Rio de Janeiro. A visita marca um dos primeiros movimentos institucionais voltados à avaliação técnica da estrutura operacional da nova permissionária, que assumiu a malha ferroviária anteriormente administrada pela SuperVia.
A fiscalização ocorreu na sede da empresa e reuniu dirigentes da operadora e representantes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro. O objetivo principal foi verificar questões relacionadas ao exercício profissional da engenharia dentro da companhia, além da regularização técnica das atividades ligadas à operação, manutenção e gestão da malha ferroviária fluminense, que possui aproximadamente 270 quilômetros de extensão, cinco ramais e 104 estações.
Durante o encontro, representantes da TrensRJ destacaram a importância do alinhamento técnico e regulatório com o CREA-RJ neste momento inicial da operação. O vice-presidente de manutenção e operações da empresa, o engenheiro eletricista Adagir Abreu, afirmou que a intenção da companhia é iniciar suas atividades com todos os processos devidamente regularizados junto aos órgãos competentes. Segundo ele, a engenharia terá papel central na reconstrução e modernização do sistema ferroviário fluminense.
A reunião também contou com a participação de diretores das áreas de operações, sistemas, manutenção e regulação da empresa, além de superintendentes e fiscais do CREA-RJ especializados em engenharia de transportes e infraestrutura ferroviária. O conselho ressaltou que a aproximação institucional busca garantir que os serviços ferroviários sejam executados dentro das normas técnicas e com respaldo profissional adequado.
O superintendente administrativo do CREA-RJ, engenheiro de transportes Édipo Senna Ázaro, destacou que o sistema ferroviário do Rio de Janeiro possui importância histórica e estratégica para o desenvolvimento econômico e urbano do estado. Segundo ele, a atuação do conselho pretende contribuir para que a nova operadora mantenha conformidade técnica e fortaleça a valorização dos profissionais da engenharia envolvidos na operação.
A visita também ocorre em um momento considerado decisivo para o futuro do transporte ferroviário metropolitano no estado. Após quase três décadas de gestão da SuperVia, a entrada da TrensRJ representa uma mudança significativa no modelo operacional. Diferentemente do contrato anterior, a nova permissionária passa a receber remuneração baseada em quilômetros operados e metas contratuais, e não mais exclusivamente pela quantidade de passageiros transportados.
Entre os principais desafios citados pela própria operadora estão os recorrentes furtos de cabos e equipamentos da rede ferroviária, atos de vandalismo, necessidade de modernização da infraestrutura e recuperação dos sistemas elétricos e operacionais. Esses problemas vêm impactando diretamente os intervalos, a confiabilidade das viagens e a qualidade do serviço prestado aos passageiros em diversos ramais da Região Metropolitana.
A aproximação entre CREA-RJ e TrensRJ também chama atenção para um aspecto muitas vezes pouco debatido no setor ferroviário: a necessidade de valorização da engenharia ferroviária nacional. O sistema sobre trilhos depende diretamente de profissionais especializados em áreas como eletrificação, sinalização, via permanente, telecomunicações, estruturas e material rodante. Em um cenário de reestruturação operacional, fiscalização técnica e planejamento de investimentos, a presença desses profissionais torna-se ainda mais estratégica.
Segundo os representantes do conselho, a expectativa é que a empresa receba futuramente o selo de conformidade do CREA-RJ, permitindo uma integração maior entre o órgão fiscalizador e a operadora ferroviária. O objetivo seria facilitar processos de regularização e acompanhamento técnico contínuo das atividades desenvolvidas pela companhia.
Apesar dos desafios históricos enfrentados pelo sistema ferroviário do Rio de Janeiro, a nova fase operacional desperta expectativa entre passageiros e especialistas do setor, principalmente diante da possibilidade de recuperação gradual da confiabilidade dos serviços, modernização tecnológica e retomada da importância estratégica dos trens metropolitanos para a mobilidade urbana fluminense.
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