Publicado em 11/03/2026 - 14:57 / Clipado em 11/03/2026 - 14:57
CREA-RJ faz segunda edição do CREA AQUI e quer reunir mais de 5 mil pessoas no Rio
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) realiza no próximo dia 19 de março a segunda edição do CREA AQUI, evento que já entrou no calendário do setor e tenta se firmar como principal vitrine das Engenharias, Agronomia e Geociências no estado. A programação acontece no Armazém 3 do Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio, com expectativa de superar a marca de 5 mil participantes.
A proposta do encontro é clara: recolocar a engenharia no centro do debate público não apenas quando há acidentes, falhas ou crises, mas também quando o setor entrega solução, desenvolvimento e impacto econômico. O evento será realizado a partir das 8h, com credenciamento no local, e tem inscrições abertas no site do conselho.
Para o presidente do CREA-RJ, Miguel Fernández, o setor precisa reaparecer de outro jeito no imaginário público. “O que motivou a criação do CREA AQUI foi a necessidade de gerar um evento que tivesse o foco em promover as grandes ações do setor das engenharias, da agronomia e das geociências do Estado do Rio de Janeiro”, afirma Miguel Fernández.
Na avaliação do dirigente, há uma tentativa de recuperar o peso político e econômico de áreas que, segundo ele, foram muito atacadas nos últimos anos. “Esse é um setor que vem sofrendo muito nos últimos anos com ataques na opinião pública e é um setor fundamental, representa dois terços do PIB do país. É o setor principal da economia, que gera avanços sociais, que defende o meio ambiente. Então, sem engenharia, sem uma agronomia qualificada e devidamente regulamentada, é impossível a gente ter um avanço econômico, social e ambiental”, diz Miguel Fernández.
O presidente também sustenta que o conselho precisa ser visto além dos momentos de tragédia ou de fiscalização. “Muitas vezes o CREA é chamado quando há um acidente, quando tem algum tipo de problema, e se pergunta: ‘Onde está? Cadê o setor? Onde está a engenharia? Cadê o CREA?’. E a gente aparece muito nesses momentos, mas é preciso aparecer também nos nossos momentos de vitória, de soluções positivas”, afirma.
Perto de completar 92 anos em junho, o CREA-RJ tenta usar o evento como símbolo dessa mudança de postura. A segunda edição do CREA AQUI vem sendo apresentada como um espaço para discutir tendências, ampliar conexões e reforçar a imagem das profissões técnicas como parte central do desenvolvimento fluminense.
A dimensão política do encontro também aparece na presença prevista de presidentes de 26 conselhos regionais de engenharia do país, que devem participar no Rio da segunda reunião do Colégio de Presidentes do Sistema Confea/Crea. A articulação foi pensada para coincidir com o evento e reforçar a ideia de que, por um dia, a cidade será a capital nacional da engenharia.
A programação prevê debates sobre desenvolvimento do estado, inovação, empreendedorismo, capacitação profissional e integração entre mercado, universidades e entidades de classe. Haverá palestras técnicas, painéis, podcasts, feira tecnológica, feira orgânica, lançamento de livros, premiação de personalidades e instituições, além de apresentações musicais, entre elas a do cantor Léo Jaime.
Entre as empresas já confirmadas nos estandes estão Odebrecht Engenharia e Construção, Cedae, Águas do Rio, Light, Naturgy e a Mútua, caixa de assistência dos profissionais do sistema. A curadoria do evento terá participação da Petrobras, que foi apresentada pelo conselho como uma das referências técnicas da engenharia nacional, especialmente nas áreas de petróleo, geociências, mecânica, naval, química e produção.
O diretor-presidente da Cedae, Aguinaldo Ballon, ressaltou o peso simbólico da participação da companhia. “A Cedae tem muito orgulho em participar do CREA AQUI, um evento que valoriza os profissionais que são maioria na companhia. Falar sobre inovação e tecnologia é fundamental para a Cedae, que tem um plano de investimento de R$ 2,2 bilhões em obras de engenharia”, disse Aguinaldo Ballon.
A presidente da Naturgy, Katia Repsold, também associou a presença da empresa ao papel técnico da engenharia. “Para a Naturgy, é fundamental participar do CREA AQUI representando o setor de gás natural do Rio de Janeiro. Somos uma empresa na qual a engenharia tem papel central em nossa atuação técnica, e estaremos presentes mostrando como transformamos o sistema de distribuição de gás natural do Rio de Janeiro por meio de investimentos em tecnologia e inovação para os nossos mais de 1 milhão de clientes do estado”, afirmou Katia Repsold.
Entre os nomes já anunciados na programação está o engenheiro e cientista Silvio Meira, fundador da TDS Company, que vai falar sobre empreendedorismo profissional na área tecnológica. A conferência principal ficará a cargo de Carlos Henrique Siqueira, engenheiro que participou da obra da Ponte Rio-Niterói e é apontado como referência em manutenção de grandes estruturas.
O evento terá ainda três grandes espaços temáticos: um voltado para Energia, Gás e Naval; outro reunindo entidades de classe e instituições de ensino; e o Espaço Progredir, programa do CREA-RJ voltado à capacitação profissional.
A iniciativa também conta com apoio de entidades históricas do setor, como o Clube de Engenharia e a Escola Politécnica da UFRJ. O presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, afirma que a entidade vê sintonia entre sua agenda institucional e a proposta do encontro. “Não há desenvolvimento sem engenharia e não há engenharia sem o desenvolvimento da nação; e nenhuma nação pode prescindir de seu próprio desenvolvimento”, disse Bogossian.
Já o diretor da Escola Politécnica da UFRJ, Sérgio Lima Netto, recém-empossado, destacou o peso do encontro para estudantes e profissionais. “O evento CREA AQUI, em sua segunda edição, se firma como um dos principais fóruns de Engenharia, Agronomia e Geociências do Rio de Janeiro”, afirmou.
A programação inclui ainda dois grandes painéis. O primeiro será dedicado ao desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro e reunirá o presidente do Confea, Vinicius Marchese, o próprio Francis Bogossian, o presidente da Abdan, Celso Cunha, e a diretora da Coppe/UFRJ, Suzana Kahn.
No segundo painel, a ideia é dar protagonismo à agronomia. Com mediação do secretário estadual de Agricultura, Felipe Brasil, o debate terá o título “Agronomia em sabores – ciência que se degusta” e vai reunir produtores ligados a queijo, vinho e turismo rural, em uma tentativa de mostrar como o agro fluminense vem buscando valor agregado, identidade regional e conexão com o turismo de experiência.
Para Felipe Brasil, o encontro ajuda a produzir articulação e futuro. “O CREA AQUI veio para ficar, pois é um evento que tem como principal função reunir ideias, fazer conexões com essas ideias e gerar grandes projetos para o futuro”, afirmou.
O empresário Maurício Arouca, da Vinícola Arouca, em Areal, diz que o painel ajuda a recolocar a agronomia num lugar mais visível. “O vinho, no fim das contas, é isso: ciência que a gente degusta. Tem solo, clima, manejo, irrigação, fitossanidade, processos, controle de qualidade, rastreabilidade e inovação — nada disso acontece no improviso”, afirmou Maurício Arouca.
No mesmo painel, Marcelo Maturano, da Vinícola Maturano, deve falar sobre o uso de tecnologia no cultivo de vinhedos em áreas de altitude na serra fluminense. Segundo ele, a proposta é apresentar o que vem sendo feito em Teresópolis, a 950 metros de altitude, com uso da técnica da dupla poda.
A leitura do CREA-RJ é que o evento tenta ir além do formato corporativo tradicional. A ideia é reunir profissionais, estudantes, empresários, universidades, concessionárias e representantes do poder público em torno de uma agenda positiva, com mais exposição pública para um setor que costuma aparecer menos do que seu peso econômico sugere.
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Rio/RJ