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Site Diário do Rio/RJ

Publicado em 08/01/2026 - 13:05 / Clipado em 09/01/2026 - 13:05

CREA-RJ diz que recebeu denúncias sobre obras no Shopping Tijuca antes do incêndio


Documentos da investigação citam irregularidades na loja Bell’Art, apontadas por funcionários dias antes do incêndio.


Por Quintino Gomes Freire 

 

O CREA-RJ afirmou que recebeu denúncias e até um alerta de princípio de incêndio antes do fogo que atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio. Segundo o conselho, foram quatro denúncias relacionadas a obras de ampliação no centro comercial, além de um comunicado sobre um princípio de incêndio registrado em dezembro de 2024, poucos dias antes da tragédia no subsolo que deixou dois funcionários mortos e outras três pessoas feridas. As informações são da CNN.

De acordo com o CREA-RJ, as denúncias levaram a ações de fiscalização e ao envio de um ofício à administração do shopping. O documento solicitava informações sobre as medidas de engenharia de segurança do trabalho adotadas no local, com base nas normas brasileiras de evacuação e prevenção de incêndios.

O conselho também reforçou que os sistemas de segurança contra incêndio e pânico — como portas corta-fogo, extintores, sprinklers e alarmes — precisam estar vinculados a uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), emitida por engenheiros habilitados.

Enquanto isso, documentos e e-mails incluídos na investigação policial apontam que, seis dias antes do incêndio, uma equipe de segurança do shopping registrou uma série de irregularidades na loja Bell’Art, no subsolo, onde o fogo teria começado. Entre os problemas descritos estão o uso do espaço como depósito de travesseiros, fiações presas com fita isolante em estruturas de MDF, detector de fumaça desmontado e uso de extensões com múltiplas tomadas.

O relatório também menciona materiais combustíveis em áreas técnicas de diques e bombas de sucção e o uso de casas de máquinas como locais de armazenamento. Ainda aparecem registros de detectores de fumaça inoperantes no piso superior e luminárias de emergência sem fixação adequada.

As vítimas fatais foram identificadas como Anderson Aguiar do Prado, supervisor de segurança do shopping, e Emellyn Silva, brigadista. Os dois teriam participado dos registros internos que apontavam as condições encontradas na loja e em áreas técnicas.

Em nota, o Shopping Tijuca informou que está colaborando com as autoridades e à disposição para fornecer documentação e informações necessárias. Segundo o empreendimento, o relatório citado foi elaborado em 27 de dezembro, quando a loja Bell’Art teria sido comunicada das orientações, e uma segunda notificação foi enviada aos proprietários dois dias depois.

O shopping afirmou ainda que as correções apontadas tinham natureza operacional e poderiam ser implementadas diretamente pelo lojista. Disse também que não houve tempo hábil para verificar as adequações após as notificações e para eventual aplicação de multa, e que não possui prerrogativa legal para interditar operações comerciais.

O incêndio ocorreu na tarde do dia 2 e, segundo informações preliminares, teria começado em um aparelho de ar-condicionado instalado em uma loja de decoração no subsolo. As causas seguem sob apuração.

 

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