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Publicado em 05/01/2026 - 16:12 / Clipado em 06/01/2026 - 16:12

Pessoas que estavam no Shopping Tijuca na hora do incêndio contam que alarme demorou a tocar


Tribuna da Serra
 

O trecho da Avenida Maracanã onde fica o Shopping Tijuca ainda estava fechado nesta segunda-feira, 05/01. O cheiro de fumaça permanecia na rua. Bombeiros seguiam trabalhando no local que pegou fogo na noite da última sexta. Pessoas que estavam lá quando as chamas se espalharam contam que o alarme de incêndio demorou a tocar, dificultando a saída durante o incidente que terminou na morte de duas pessoas.

“Só isolaram o subsolo e deixaram o resto funcionando normal. O incêndio começou 18h e o shopping foi evacuado 18h40”, disse Luan, que trabalha no local.

Márcia França, que estava fazendo compras no Shopping Tijuca na hora do incêndio, afirmou que “foi uma bagunça, demoraram muito para mandar evacuar”.

Paulo Mendes, que também estava no Shopping Tijuca, declarou: “Com o incêndio acontecendo, tudo estava funcionando normal nos andares de cima. A ordem de evacuação só começou a ser dada quando os bombeiros militares chegaram. A administração conduziu muito mal toda situação”.

Alguns relatos que a reportagem do DIÁRIO DO RIO teve acesso dão conta de que pessoas ainda estavam sendo permitidas entrar no Shopping Tijuca mesmo após o início do incêndio na loja de decoração Bellart, que fica no subsolo.

Informações iniciais indicam que o fogo teria começado em um ar-condicionado.

“Logo que o fogo começou, só isolaram o local do incêndio e deixaram o restante das lojas funcionando. O alarme sonoro só tocou uns 40 minutos depois do começo do incêndio. Não existe isso“, conta uma funcionária do Shopping Tijuca que preferiu não ter o nome citado.

Nesta segunda-feira, de acordo com a Secretaria de Defesa Civil, todos os focos de incêndio foram controlados. No entanto, ainda havia fumaça no subsolo, por isso, para facilitar a ventilação, os bombeiros precisaram abrir um buraco em uma das paredes para a saída da fumaça acumulada.

Também nesta segunda, um dos sócios da loja onde o incêndio começou prestou depoimento à Polícia Civil. Ele afirmou que foi informado do fogo por um supervisor da loja, que disse já ter acionado a brigada. Segundo o empresário, após o alerta, os brigadistas solicitaram a evacuação do local.

Ele explicou, ainda, que o estabelecimento utilizava um sistema de refrigeração integrado ao do shopping, por meio de um equipamento chamado fan-coil, que transforma a água gelada fornecida pelo centro comercial em ar refrigerado. De acordo com o sócio da loja, a manutenção do equipamento estava em dia.
 

Dois brigadistas morreram

Os brigadistas Emellyn Silva Aguiar Menezes e Anderson Aguiar do Prado morreram no incêndio. Emellyn ajudou clientes e funcionários a se protegerem das chamas. Anderson era supervisor da brigada de bombeiros civis que trabalha no Shopping Tijuca.
 

Bombeiros protestaram

O Sindicato dos Bombeiros Civis do Estado do Rio de Janeiro realizou uma manifestação em frente ao Shopping Tijuca na manhã desta segunda. O grupo cobra esclarecimentos sobre o incêndio e melhores condições de trabalho para os profissionais que atuam no local.
 

Defesa Civil do Município do Rio interditou o subsolo do Shopping

No início da noite desta segunda-feira, a Defesa Civil do Município do Rio confirmou a interdição do subsolo e de parte do térreo do Shopping Tijuca. O órgão realizou uma vistoria técnica após receber a liberação do Corpo de Bombeiros, que atua no local desde sexta-feira após um incêndio atingir uma loja do subsolo.

“A Defesa Civil Municipal informa que realizou, na tarde desta segunda-feira (05/01), uma vistoria no térreo e subsolo do Shopping Tijuca, após a liberação prévia do Corpo de Bombeiros. Técnicos avaliaram que o fogo causou risco estrutural no mezanino da loja atingida pelo incêndio, além de risco de queda de revestimentos internos e desplacamentos de partes do teto e piso. O subsolo do shopping foi totalmente interditado devido à falta de condições para a permanência no local. Já no térreo, 17 lojas da lateral esquerda, localizadas entre a entrada principal na Avenida Maracanã e a Tok Stok, foram interditadas após o calor do fogo deformar o piso. Não foi identificado risco estrutural nas demais lojas do subsolo e do térreo do shopping”, diz o comunicado.
 

CREA-RJ pede informações sobre evacuação do prédio

Em nota, a presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ) lamentou o incêndio.

A fiscalização do CREA já esteve no shopping a quem enviou ofício, solicitando informações sobre medidas de engenharia de segurança do trabalho, que precisam cumprir normas brasileiras de evacuação de edificações. Toda instalação de segurança contra incêndio e pânico (instalação de portas corta-fogo, extintores, sprinklers, alarmes) exige uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) emitida por um engenheiro Civil, mecânico ou de segurança do Trabalho.

O presidente do CREA-RJ, engenheiro Miguel Fernández, afirmou que o episódio comprova a necessidade urgente de um projeto de lei que determine a obrigatoriedade de inspeção elétrica das edificações para que se evite incêndios provocados por problemas na manutenção das redes elétricas.

“O CREA-RJ tem uma fiscalização ativa no Shopping Tijuca, em virtude das grandes obras que acontecem lá no local, mas, acima disso, nós temos que pensar nesse problema dos incêndios recorrentes derivados dos sistemas elétricos das edificações. Então, estamos elaborando uma minuta de proposta de projeto de lei a ser encaminhada ao deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, engenheiro, que já colocou o gabinete à disposição, para a gente apresentar um projeto de lei que fale sobre inspeção elétrica nas edificações, para garantir que os sistemas também estejam conforme as normas e segurança, mitigando ou evitando acidentes recorrentes que, infelizmente, nesse caso, registraram até mortes”, disse Fernández.

 

O que disse o Shopping Tijuca

“Neste momento de dor, nos solidarizamos com familiares e amigos e nos empenhamos em prestar todo o apoio necessário. A equipe atuou prontamente para conter a situação e cumpriu o protocolo de emergência com a devida evacuação de visitantes e lojistas em segurança“, disse a nota oficial do estabelecimento sobre o ocorrido.

A administração do Shopping Tijuca também afirmou que cumpriu todos os protocolos de emergência, incluindo o acionamento das sirenes nos locais adequados, e informou que cerca de 7 mil clientes e lojistas foram evacuados em segurança. O centro comercial destacou ainda que não há previsão para reabertura e que, neste momento, os esforços estão concentrados no apoio à atuação do Corpo de Bombeiros e na assistência às vítimas e aos familiares delas.

 

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