Publicado em 05/01/2026 - 16:09 / Clipado em 06/01/2026 - 16:09
Shopping Tijuca: exaustores do subsolo, onde incêndio aconteceu, foram alvos de denúncia em 2023
Passadas mais de 60 horas do início do incêndio, cerca de 50 bombeiros seguem atuando no estabelecimento na operação de rescaldo
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
Os exaustores de ar do subsolo, onde começou o incêndio no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, foram alvo de denúncia em 2023. De acordo com documentos obtidos pelo GLOBO, dois restaurantes localizados nessa área foram notificados pelo Corpo de Bombeiros em abril daquele ano. Ainda não se sabe se algum exaustor deu origem ao fogo, já que as causas do incêndio — que deixou dois mortos e três feridos — permanecem desconhecidas. A perícia da Polícia Civil não pôde ser realizada devido à intensa concentração de fumaça no local. Passadas mais de 60 horas do início do incêndio, cerca de 50 bombeiros seguem atuando no estabelecimento. Segundo o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do CBMERJ, coronel Tarciso Salles, o trabalho deve se estender por mais alguns dias.
Em 2023, o 11º Grupamento de Bombeiro Militar (11º GBM – Vila Isabel) recebeu uma solicitação do deputado estadual Rodrigo Amorim para verificar as condições de segurança contra incêndio e pânico no Shopping Tijuca. O pedido foi feito após o parlamentar receber uma denúncia sobre exaustores de ar que estariam expelindo fumaça.
No local, o próprio coordenador de segurança relatou o problema aos militares, que ocorria em dois restaurantes situados no subsolo do centro comercial. Em ofício enviado à Diretoria-Geral de Serviços Técnicos, o comandante do 11º GBM informou que os restaurantes já haviam sido notificados sobre a irregularidade, em abril daquele ano, e anexou dois documentos assinados pelos estabelecimentos.
O deputado Rodrigo Amorim afirmou que, desde que assumiu o mandato na Assembleia Legislativa, recebe denúncias recorrentes sobre o shopping. Segundo ele, o estabelecimento gera preocupação em relação à sua estrutura desde a inauguração, em 1996.
— Como tijucano, lembro bem da inauguração do shopping. A estrutura sempre foi uma preocupação. Primeiro porque o prédio ficou abandonado por muito tempo, com o esqueleto exposto por anos. Depois, porque o estabelecimento passou por expansões consecutivas, o que aumentava o receio dos moradores — disse.
Segundo Amorim, nunca houve conhecimento de laudos contrários às obras, mas a apreensão da população estava diretamente relacionada às ampliações do prédio.
— O shopping foi construído como um quebra-cabeça, com expansões sucessivas. Mais recentemente, houve a ampliação do subsolo, com escavações para a abertura de novas lojas. Antes d incêndio, a estrutura passava por mais uma reforma em uma área de garagem que seria transformada em um novo espaço de restaurantes — afirmou.
Como resposta, o Corpo de Bombeiros informou que os processos de fiscalização e regularização dos restaurantes permanecem em andamento, sendo conduzidos nos termos da legislação vigente. Um deles já protocolou junto ao 11º Grupamento de Bombeiro Militar (11º GBM) solicitação de Certificado de Aprovação. Entretanto, após análise técnica, o pedido foi indeferido em razão da constatação de pendências documentais, as quais foram devidamente apontadas para saneamento por parte do responsável legal. Já em relação ao outro, informou que o estabelecimento foi novamente notificado pelo 11º GBM em novembro de 2025, no âmbito do processo de fiscalização. O prazo concedido para o cumprimento das exigências técnicas ainda se encontra em vigor, conforme previsto na legislação de segurança contra incêndio e pânico aplicável.
Em nota, o CREA informou que esteve no shopping e que enviou ofício solicitando informações sobre medidas de engenharia de segurança do trabalho. Segundo o órgão, o estabelecimento precisa cumprir normas brasileiras de evacuação de edificações. Toda instalação de segurança contra incêndio e pânico (instalação de portas corta-fogo, extintores, sprinklers, alarmes) exige uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) emitida por um engenheiro Civil, mecânico ou de segurança do Trabalho.
O Shopping Tijuca ainda não respondeu sobre esse caso.
Veículo: Online -> Portal -> Portal O Globo - Rio de Janeiro/RJ