Publicado em 02/08/2022 - 14:01 / Clipado em 02/08/2022 - 14:01
Coreia possui 33 centros culturais no mundo
Um desses centros funciona em São Paulo, desde 2013, e oferece desde o ensino da língua coreana a artes marciais e exposições diversas
Por Súsan Fariaagosto
O alfabeto coreano chama-se Hangul e é composto por consoantes e vogais, sendo sua leitura e escrita funcionais. Assim como o português, as metodologias de escrita e leitura são tão eficientes que qualquer pessoa pode aprender com facilidade. Em 1966, a Estatística da Coreia (órgão governamental coreano) encerrou as pesquisas sobre o analfabetismo, visto que já nessa época o índice de analfabetos correspondia a apenas 1% da população. Dessa maneira, comprovou-se o status do Hangul como um alfabeto muito fácil de ser aprendido.
As informações são do diretor do Centro Cultural Coreano no Brasil, Kim Wankuk. “Posso assegurar que aprender coreano é mais fácil do que a maioria imagina”, diz. Segundo as estatísticas, estima-se que 77 milhões de pessoas falem o idioma coreano, sendo o 14º idioma mais usado no mundo. “A Coreia sofreu muitos ataques dos outros países no passado e o nosso idioma foi ameaçado de ser extinto do mundo. Apesar disso, nós conseguimos preservar e desenvolver o coreano de maneira que não fosse esquecido”, explica Kim Wankuk.
Em entrevista exclusiva ao Diplomacia Business, Kim Wankuk, fala sobre o Centro Cultural Coreano no Brasil e as atividades que esse centro oferece online e também na sua sede na Avenida Paulista, na capital de São Paulo. Vale a pena conhecer um pouco dessa nação tão rica em sua cultura. Veja a entrevista completa de Kim Wankuk:
Diplomacia Business – Quando e onde foi instalado o Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB) e com que objetivos?
Diretor do Centro Cultural Coreano no Brasil, Kim Wankuk – O Centro Cultural Coreano no Brasil foi inaugurado em 23/10/2013 com o objetivo de realizar um intercâmbio cultural entre o Brasil e a Coreia. Ambos os países estão em lados opostos do planeta e nosso objetivo é compensar essa distância através de diversas atividades culturais.
Existem outros Centros Culturais Coreanos em outros países?
Kim Wankuk – Sim. Há 33 Centros Culturais da Coreia ativos em um total de 28 países. Todos esses órgãos são instalados pelo órgão governamental da Coreia chamado “Cultura Coreana e Serviços de Informações”, que completou 50 anos em 2022.
O Centro Cultural Coreano oferece aulas de língua coreana. É difícil aprender essa língua? Em quanto tempo, o aluno consegue falar e escrever bem o idioma?
Kim Wankuk – O famoso alfabeto coreano chama-se Hangul e é composto por consoantes e vogais, sendo sua leitura e escrita funcionais. Assim como o português, as metodologias de escrita e leitura são tão eficientes que qualquer pessoa pode aprender com facilidade, sendo possível expressar diversos sons. Em 1966, a Estatística da Coreia (órgão governamental coreano) encerrou as pesquisas sobre o analfabetismo, visto que já nessa época o índice de analfabetos correspondia a apenas 1% da população. Dessa maneira, comprovou-se o status do Hangul como um alfabeto muito fácil de ser aprendido.
Para falar fluentemente, é necessário um certo tempo, mas se estudar intensamente por dois anos é possível obter uma fluência em coreano. Eu sou o diretor do Centro Cultural Coreano no Brasil. Porém, ao mesmo tempo, sou diretor da “Escola de Idioma Coreano Sejong Hakdang no CCCB” e posso assegurar que aprender coreano é mais fácil do que a maioria imagina. Portanto, não temam e se desafiem a aprender a língua coreana.
Quantas pessoas e nações falam coreano no mundo? Existem algumas particularidades nessa língua?
Kim Wankuk – Segundo as estatísticas, estima-se que 77 milhões de pessoas falem o idioma coreano, sendo o 14º idioma mais usado no mundo. Isso é apenas uma estimativa, mas eu acredito que há mais falantes no mundo, se considerarmos pessoas como os nossos alunos do Sejong Hakdang, os fãs da Onda Hallyu e os imigrantes coreanos.
O idioma coreano apresenta uma diversidade gramatical, sotaques regionais e palavras novas que surgem através da internet, além de todo seu valor científico e cultural que qualquer idioma possui. Como o português, a língua coreana costuma passar por acordos ortográficos e são realizadas pesquisas para sua melhoria.
Quanto às particularidades, a Coreia sofreu muitos ataques dos outros países no passado e o nosso idioma foi ameaçado de ser extinto do mundo. Apesar disso, nós conseguimos preservar e desenvolver o coreano de maneira que não fosse esquecido. Daí vem sua particularidade mais valorosa no meu ponto de vista.
Vocês oferecem um E-book com o guia da cultura coreana? Como nasceu essa ideia? Como conseguir esse guia?
Kim Wankuk – O Centro Cultural Coreano lançou recentemente o E-book chamado “GUIA DA CULTURA COREANA”, que é gratuito e livre para todas as idades. É a primeira versão e passará por atualizações ao longo do tempo. Quando a pandemia começou, nossas atividades presenciais passaram a ser online em pouco tempo. Nossa tomada de decisão foi ágil e conseguimos nos adaptar muito bem à realidade de eventos online e foi uma oportunidade para aprendermos sobre o potencial e a eficiência da divulgação online. A partir dessa experiência surgiu o e-book sobre cultura coreana e, posteriormente, planejamos utilizar outras plataformas para divulgar nossas atividades.
O e-book é curto, porém rico. Todas as informações foram fornecidas pelo “Ministério da Cultura, Esporte e Turismo”, “Cultura Coreana e Serviços de Informações”, “Korea.net” e “Kukkiwon”, que são órgãos que contém informações confiáveis sobre os tópicos abordados.
Link do e-book: https://brazil.korean-culture.org/pt/436/board/180/read/116849
O Centro também oferece aulas de Taekwondo online e presencial? Quantos alunos frequentam essas aulas? Fale-nos sobre esse esporte, por gentileza.
Kim Wankuk – A cada semestre, o curso de Taekwondo do Centro Cultural Coreano recebe entre 60 e 70 alunos. Taekwondo é uma arte marcial da Coreia com 5 mil anos de história, sendo hoje um esporte olímpico com bilhões de praticantes no mundo. O Taekwondo visa dominar o caminho dos punhos e dos pés para se defender. É uma atividade física intensa que educa o espírito dos praticantes a respeitar o mestre educador, veteranos, companheiros e, principalmente, a honrar os pais.
Nosso mestre chama-se Yun Cheol Lim e ele é um mestre federado pelo Kukkiwon, a sede internacional de Taekwondo na Coreia, sendo um profissional bastante reconhecido pela sua qualificação. Alguns atletas da seleção brasileira treinam junto com ele no CCCB e é um grande orgulho para mim. O Taekwondo também está bem explicado no nosso e-book, Guia da Cultura Coreana. Link: https://youtu.be/enBpiWRZvvQ
Quantos livros estão na biblioteca do CCCB e sobre quais assuntos eles discorrem? A biblioteca empresta livros? Como acessar a biblioteca?
Kim Wankuk – Nós temos exatamente 3.595 livros registrados no sistema da nossa biblioteca. Há diversos gêneros, como arte, ficção, cultura, poemas, quadrinhos etc. Boa parte dos livros estão em coreano, mas temos livros em português e inglês também. Todos estão disponíveis para locação gratuita para nossos usuários. Basta nos visitar, fazer o credenciamento e escolher os livros que deseja. Além disso, nós recebemos mensalmente revistas impressas sobre atualidades para distribuição gratuita. Então peço que desfrutem disso.
O sr. é o 4º diretor do Centro Cultural Coreano no Brasil. Como tem sido administrar esse centro? Quais são as novidades que ele vai oferecer de agosto a dezembro próximos? Exposições, cinema, dança estão previstos?
Kim Wankuk – O Centro Cultural Coreano está realizando vários eventos, exposições e cursos para que os brasileiros possam experimentar a cultura coreana. Em junho, nós realizamos a exposição de K-Beauty, através da qual várias pessoas passaram a se interessar por produtos cosméticos coreanos. Em julho, nós convidamos ídolos coreanos de K-Pop e tivemos um tempo maravilhoso com os fãs.
Em agosto, em comemoração ao dia da cultura coreana, realizaremos uma celebração no município de São Paulo e Campinas, em que a música tradicional e contemporânea coreana espera pelo público. Além disso, espera-se realizar uma intervenção artística da mídia digital nos grandes muros do Bom Retiro, em que há a maior concentração de imigrantes coreanos.
Em setembro e outubro, está prevista uma exposição sobre lanches coreanos. Em novembro, haverá uma exposição de Hanbok, o traje tradicional coreano, e, no mesmo mês, haverá a Mostra de Cinema Coreano, então peço que aproveitem e continuem acompanhando as novidades.
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