Publicado em 06/03/2024 - 09:50 / Clipado em 07/03/2024 - 09:50
'Se eu fosse vereador, não faria CPI contra o padre Júlio Lancellotti', diz Nunes sobre proposta na Câmara Municipal de SP
Para que seja aberta a comissão, pedido que será debatido no plenário da Câmara Municipal nos próximos dias e deverá ter ao menos 28 votos favoráveis entre os 55 vereadores da cidade. Em evento na Zona Norte, o prefeito fez elogios ao padre católico e alertou que a Pastoral do Povo de Rua não tem nenhum convênio direto com a gestão municipal.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse nesta quarta-feira (6) que não é a favor de qualquer tipo de CPI contra o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo.
A proposta de comissão para investigar o religioso da Igreja Católica está em debate na Câmara Municipal da cidade, que deve levar a decisão ao plenário nos próximos dias.
“O que eu tenho orientado para os meus secretários: não interfiram nas questões de orientação de CPIs, porque o vereador tem que ter toda a sua liberdade e autonomia para fazer as suas atividades parlamentares. Eu, se fosse vereador, pelas informações que tenho até agora, não faria uma CPI contra o padre Júlio Lancellotti”, declarou o prefeito.
“Tenho muita consideração com o padre Júlio, até pela posição dele ser padre. Sou católico praticante. Eu, em especial, não me sentiria, se eu fosse vereador, confortável em fazer qualquer tipo de investigação contra um sacerdote que a gente vê só fazer o bem para as pessoas, dedicar sua vida para poder ajudar o próximo”, completou.
A proposta de CPI está sendo encampada no Legislativo por aliados de Nunes na Câmara: o vereador Rubinho Nunes e o presidente da Casa, Milton Leite, ambos do União Brasil.
Inicialmente, o escopo da proposta de investigação protocolada por Rubinho Nunes era fiscalizar a ação de ONGs que recebem dinheiro público para atuação na região da Cracolândia.
Entretanto, depois que o vereador do União Brasil conseguiu as assinaturas necessárias entre os colegas para iniciar as investigações, o parlamentar uso as redes sociais para atacar o religioso católico e dizer que usaria a comissão para investigar o padre (veja vídeo abaixo).
Por conta da mudança de objetivos da proposta, pelo menos oito vereadores declararam ao g1 que apoio em favor da proposta de CPI e disseram apoiar o trabalho do padre católico com as pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo.
Padre sem convênio com a prefeitura
Durante a inauguração do Armazém Solidário City Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo, o prefeito fez elogios ao padre Lancellotti, ao lado do líder do governo na Câmara, vereador Fábio Riva (PSDB).
No evento, Nunes defendeu o trabalho da Pastoral do Povo de Rua, da Arquidiocese de São Paulo, dizendo que o órgão coordenado pelo padre Júlio não tem vínculos direitos com a Prefeitura de SP.
“Tenho muita consideração com o padre Julio Lancellotti, até pela posição dele ser padre. Sou católico praticante. Ele não tem convênio com a Prefeitura diretamente, como muitas entidades, mas é um grande parceiro da Prefeitura de SP, do ponto de vista de ajudar no atendimento das pessoas em situação de rua. Muito difícil pra mim falar num tema desses, faça isso ou faça aquilo. Mas se eles [vereadores] acharem que podem se inspirar no meu posicionamento...”, disse o prefeito.
Reunião do colégio de líderes
Em reunião a portas fechadas nesta terça-feira (5), os líderes partidários da Câmara Municipal de SP decidiram levar ao plenário a decisão sobre a abertura ou não de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o padre Júlio Lancellotti.
A decisão foi tomada após uma reunião tensa na presidência da Casa, em que o vereador Rubinho Nunes (União Brasil), ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), exibiu vídeos com supostas denúncias contra o religioso.
Após a reunião fechada, a Câmara Municipal emitiu nota dizendo que será definida na próxima semana se a votação para levantar a investigação contra o padre se dará no âmbito do pedido de CPI já protocolado por Rubinho Nunes – que investigaria ONGs que atuam na região da Cracolândia – ou num novo pedido, que seria protocolado na Casa para ser submetido ao plenário.
De qualquer forma, para que seja aberta, a CPI contra o padre Júlio Lancelotti deverá ter ao menos 28 votos entre os 55 vereadores da cidade. A votação em plenário é aberta.
O advogado do padre Julio, Luiz Eduardo, disse que ele é inocente e afirmou ainda, que se trata de "um ataque político, tendo em vista sua atuação social e que o padre é duramente atacado especificamente por políticos de direita em anos eleitorais, como este".
Em nota, a Câmara disse que “será requisitado ao Ministério Público e à Polícia Civil o acompanhamento desta CPI”, caso 28 vereadores concordem com o pedido de abertura da comissão.
“Em reunião na Presidência da Câmara, face às provas apresentadas em relação ao padre Julio Lancellotti, foi definido por maioria dos líderes o prosseguimento da CPI protocolada pelo vereador Rubinho Nunes (União). Até a próxima reunião do Colégio de Líderes será definido o escopo da apuração (objeto da investigação) para, então, o pedido de CPI ser apresentado ao Plenário, onde serão necessários 28 votos para aprovação. O presidente Milton Leite (União) informou que será requisitado ao Ministério Público e à Polícia Civil o acompanhamento desta CPI”, informa a nota da Câmara.
Histórico
Conforme o g1 publicou, o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) protocolou no ano passado na Câmara um pedido de CPI para investigar as ONGs que atuam na Cracolândia, no Centro de São Paulo.
Ao menos 25 vereadores assinaram o requerimento, que não mencionava o padre Júlio no texto do pedido. Porém, nas redes sociais, o vereador do União Brasil começou a fazer ataques contra o religioso, dizendo, inclusive, que o levaria algemado para depor na Câmara.
Diante do impasse entre vereadores favoráveis e contrários à investigação e diante de supostas novas provas apresentadas por Rubinho aos colegas, o acordo entre as lideranças é que o pedido seja apreciado no plenário, em debate público para a sociedade acompanhar.
Veículo: Online -> Site -> Site Rádio Nova FM 87