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Jornal Diário do Grande ABC

Publicado em 24/11/2025 - 09:44 / Clipado em 24/11/2025 - 09:44

Fila do INSS bate recorde e supera 2,8 milhões de pedidos represados


Espera por benefícios previdenciários registra alta de 49% na comparação com o ano passado

Caio Prates
do Portal Previdência Total

A fila de espera por benefícios no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) atingiu, em outubro, o maior patamar da história: 2,862 milhões de pedidos de aposentadorias, pensões e auxílios por incapacidade aguardam análise. Uma alta de cerca de 49% em comparação ao mesmo período do ano passado. Em outubro de 2024, havia 1,918 milhão de pedidos na fila. 

Especialistas destacam que, apesar de a redução da fila do INSS ser uma das promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o cenário preocupa. De janeiro até agora, o número de novos pedidos de benefícios do INSS cresceu 23%. A média mensal já chega a 1,3 milhão. Metade da fila é para benefício por incapacidade temporária. A espera do BPC (Benefício de Prestação Continuada) é de 897 mil pessoas, que aguardam em média 193 dias para ter algum tipo de resposta. 

Os processos estão parados desde junho, devido à decisão judicial que determinou novas regras para o cálculo do benefício. E, para piorar a situação, os advogados especialistas em Direito Previdenciário apontam que a autarquia federal suspendeu o PGB (Programa de Gerenciamento de Benefícios), criado para acelerar a análise dos requerimentos. Um ofício assinado pelo presidente do órgão, Gilberto Waller Junior, afirma que a interrupção ocorreu por falta de recursos no orçamento. O programa previa o pagamento de bônus de produtividade a servidores e peritos.

Para o advogado João Badari, sócio do Aith, Badari e Luchin Advogados, o cenário de crescimento da fila de benefícios previdenciários no Brasil é consequência de um problema estrutural. “É reflexo de uma crise que vai além da burocracia: trata-se de um problema social e econômico que afeta milhões de brasileiros. Entre os principais fatores estão as paralisações de médicos peritos, greves de servidores e instabilidades técnicas no sistema do instituto”, alerta.

O advogado Celso Joaquim Jorgetti, da Advocacia Jorgetti, destaca a necessidade de priorizar os benefícios por incapacidade, que dependem de perícia médica. “Nem sempre os laudos, receitas e exames apresentados são levados em consideração pelos peritos. A demora na realização das perícias faz com que muitos segurados dependam de terceiros para sobreviver”, afirma.

Para a advogada Simone Lopes, do escritório Lopes Maldonado Advogados, a lentidão não prejudica apenas o segurado, mas também o Estado. “Se houvesse um fluxo mais eficiente e menos burocrático, essa situação poderia ser amenizada, garantindo mais justiça social e desafogando o Judiciário”, aponta.

Ela lembra que, sem renda, muitos segurados acumulam dívidas e acabam acionando a Justiça para obter o benefício. “Mas, com o Judiciário sobrecarregado, os processos também demoram. É um ciclo de morosidade que compromete a qualidade de vida de quem depende desses recursos”, observa Simone.

Demora também pode ser causada por falha ou falta de documentos

Especialistas reforçam que o crescimento da fila também pode estar ligado aos indeferimentos registrados por falhas na documentação. O advogado Ruslan Stuchi, do Stuchi Advogados, afirma que erros simples ainda travam a concessão. “Benefícios como auxílio-doença, pensão por morte e auxílio-acidente exigem atenção redobrada. A divergência de dados no CNIS é um dos entraves mais comuns”, explica.

Ruslan Stuchi recomenda que os segurados consultem o CNIS no portal Meu INSS e comparem as informações com a carteira de trabalho.

“É essencial verificar vínculos e salários de contribuição. Se houver divergências, o segurado deve reunir provas e corrigir antes de fazer o pedido para evitar cair na fila”, orienta o especialista.

Para Simone Lopes, a solução para esse quadro caótico do sistema previdenciário exige mais do que ajustes de gestão. “É essencial uma força-tarefa, investimentos na modernização do sistema de análise e a ampliação e capacitação dos servidores. Trata-se do direito de milhares de pessoas que dependem do INSS para manter sua dignidade. É preciso acabar com esse abismo que distancia o cidadão do benefício”, conclui.

https://www.dgabc.com.br/Noticia/4270992/fila-do-inss-bate-recorde-e-supera-2-8-milhoes-de-pedidos-represados

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